Todos os dias circulamos por quase os mesmos trechos da cidade indo ao trabalho, levando o filho à escola ou simplesmente para fazer um retorno a outra rua. Porém, muitas vezes não nos damos conta dos motivos que levaram ao nome dado para nossas alamedas e a Rua 5 é uma delas.
A mais conhecida e bem arborizada rua de Araraquara tem muita história a nos contar. Uma das mais recentes foi dada pela mobilização da população contra um projeto da prefeitura, que desejava fazer reformas que iriam modificar o cenário já habitual e agradável que constitui a rua.
Na década de 1910, foram trazidos do Rio de Janeiro várias mudas de oitis que foram plantadas nas ruas 3 e 5, porém hoje em dia só podemos vê-las na Voluntários da Pátria, pois com a implantação dos ônibus elétricos muitas árvores foram cortadas na rua 3.
Desde então, a rua se tornou cartão postal da cidade devido aos paralelepípedos de granito originais e ao túnel formado pela junção das árvores, possibilitando um ar agradável e fresco e quase um refúgio do calor incessante de Araraquara.
Mas, qual o motivo de seu nome? Por que Voluntários da Pátria?
Em 1864 teve início a Guerra do Paraguai, na qual o Brasil, o Uruguai e a Argentina se aliaram para defender seu território, chamados de Tríplice Aliança. Com o poder político e econômico do Paraguai na época, o único país da América Latino independente e bem estruturado que apresentava bom índice de desenvolvimento industrial e econômico se destacando como uma potência em nosso continente, Francisco Solano Lopes, então ditador do Paraguai, teve uma meta ambiciosa: aumentar o território paraguaio. Ele desejava possuir uma saída para o Oceano Atlântico através dos rios da Bacia da Prata para poder escoar a sua produção industrial.
O ditador aproveitou-se da província de Mato Grosso do Sul, pois a defesa naquela região era fraca e assim poderia invadi-la e conquistá-la. Depois ambicionava o Rio Grande do Sul, porém precisaria passar pela Argentina para atingi-la. A população brasileira já revoltada, decide enviar tropas ao combate que o Paraguai havia declarado e Araraquara era a vila mais próxima do conflito e passagem obrigatória das vítimas e fugitivos.
Araraquara, então, envia 30 jovens como voluntários na guerra que teve seu fim em 1869 e saindo a Tríplice Aliança vitoriosa, porém, cinco desses jovens morreram e outros quatro ficaram feridos gravemente. Por onde passavam eram concebidos como heróis e o governo municipal mandou pintar retratos de cada um dos voluntários para a história.
Viu quanta história possui nossa rua? Hoje tombada pelo Patrimônio Histórico Municipal, agora além de apreciá-la cada vez que passamos debaixo de suas copas, poderemos sempre se lembrar daqueles que deram seu nome e seu sangue por nosso país!
Caroline Rizzoli

